Após a Segunda Guerra Mundial, a Europa se viu dividida entre o Bloco Ocidental e o Bloco Oriental, e ambos os lados buscavam fortalecer suas forças militares. Na antiga Tchecoslováquia, o exército convocou milhares de soldados, acompanhados em sua maioria de cães da raça Pastores Alemães de trabalho para vigilância e patrulhamento das fronteiras.
Porém, na década de 1950, surgiram problemas sérios de saúde nesta população de Pastores Alemães. Uma doença não muito conhecida da época: a displasia de quadril.
Tornou-se cada vez mais frequente e muitos cães não suportavam as longas jornadas em terrenos montanhosos e condições climáticas severas. Sendo obrigados a serem aposentados precocemente.
Ficava claro que, por mais treináveis e inteligentes que fossem, esses cães tinham limitações físicas que os impediam de atender plenamente às demandas do exército.
Então começou-se importar Pastores Alemães do leste da Alemanha e se fazer um rigoroso controle de saúde por meio de radiografias. Mas logo surgiu uma ideia mais ousada: cruzar os Pastores Alemães com lobos dos Cárpatos, buscando combinar o melhor dos dois mundos — a obediência e a disposição para o trabalho do cão com a resistência física e a saúde robusta do lobo.
Essa tarefa foi entregue à Estação da Guarda de Fronteira de Libějovice e ao coronel e cinófilo Karel Hartl, uma das maiores autoridades da cinofilia da República Tcheca. Nascia ali um experimento sem precedentes a tentativa de iniciar um melhoramento da raça Pastor Alemão. Essa foi a ideia inicial, mas os resultados que foi conquistado, se desejou ir além, a criação de uma nova raça.
Em 1955, um experimento biológico foi iniciado nas estações de criação da Guarda de Fronteira (PS) da então Tchecoslováquia, com o objetivo de cruzar um Pastor Alemão (GS) com um Lobo dos Cárpatos. A intenção era criar cães de serviço para atender às necessidades da Guarda de Fronteira Tchecoslovaca. Presumia-se que, ao "injetar" sangue de lobo nos cães GS, seria possível obter animais com mais resistência, vigor e atenção — características desejáveis para proteger a fronteira ocidental do país.
O experimento também visava responder questões biológicas relacionadas ao cruzamento interespecífico, como hereditariedade, biometria e diferenças fisiológicas entre cães, lobos e híbridos. Outros aspectos avaliados incluíam o desenvolvimento de reflexos condicionados, processos de excitação e inibição, atividade endógena, comportamento social e suas mudanças ao longo da vida do animal. Diversas estações de fronteira participaram da pesquisa, cada uma com funções específicas. A centralização, no entanto, permaneceu em Libějovice.
A fase prática começou em 1957, com o cruzamento da loba dos Cárpatos Brita (originária da floresta de Palota, do leste da Eslováquia) foi tentado fazer a 1° cruzamento entre Brita e um Pastor Alemão, mas falhou, Brita o atacou ferindo gravemente, então foi tentado com outro pastor alemão, este foi Cézar z Březové háje. Quando Brita o atacou, ele por sua vez revidou, levando Brita permitir o cruzamento. Dessa união nasceram, em 26 de maio de 1958, cinco filhotes: no canil Libějovice: um macho e quatro fêmeas.
Esses filhotes apresentaram aparência marcadamente lupina e um temperamento difícil: eram extremamente tímidos e quase impossíveis de treinar. A razão fora que a fase inicial foi criada na fase do imprinting pela sua mãe loba, Brita, e não por uma cadela, fazendo terem comportamentos como os dos lobos.
Apesar disso, os testes demonstraram altos índices de imunidade, resistência ao frio extremo, e saúde excepcional. Os filhotes mais promissores foram cruzados com Pastores Alemães cuidadosamente selecionados, e com o avanço das gerações, a treinabilidade e o equilíbrio entre lobo e cão começaram a surgir. Já na terceira geração, a aparência se estabilizou, e os testes comportamentais mostravam que alguns indivíduos eram aptos ao treinamento militar.
Com os primeiros resultados promissores, o experimento passou a ser considerado oficialmente como base para a criação de uma nova raça. Muitos especialistas e citologistas se uniram ao projeto. Enquanto Hartl conduzia os trabalhos na República Tcheca, o Major František Rosík, também cinófilo, foi encarregado de conduzir o experimento na Eslováquia.
Tudo parecia caminhar de acordo com os propósitos iniciais. Entre 1958 e 1982, quatro linhagens principais foram utilizadas no desenvolvimento da futura raça. A partir dos primeiros cruzamentos, os filhotes F1 (primeira geração de híbridos) passaram a ser cruzados exclusivamente com Pastores Alemães, e não mais com outros lobos.
A primeira linha genética teve origem no cruzamento já citado entre a Loba Brita e o Pastor Alemão Cézar z Březového Háje. Dessa união nasceram várias fêmeas utilizadas em programas de criação.
Em 1960, uma nova cruza foi feita, esta é a segunda linha genética da base da raça, fora utilizado novamente a Loba Brita e o Pastor Alemão Kurt z Václavky. Dela nasceram, em 21 de maio, seis híbridos (quatro machos e duas fêmeas).
O experimento como um todo foi concluído em 1965, confirmando que a maioria dos híbridos possuía pré-requisitos importantes para reprodução e integração social. Os resultados iniciais demonstraram treinabilidade promissora, com variação entre os indivíduos.
A capacidade de desempenho em serviço foi confirmada com os primeiros híbridos. Consequentemente, em 1966, dezesseis filhotes de Odin z Pohraniční stráže (F2) entraram em serviço, e dezoito Os híbridos foram atribuídos a criadores civis. O livro genealógico civil recusou-se a registrar esses híbridos, pois não eram considerados de raça reconhecida.
A Em 1968, o projeto de criação deu um salto importante com a introdução do Lobo dos Cárpatos Argo. No canil policial em Býchory, ele foi cruzado com a cadela de Pastor Alemão Asta z SNB, gerando uma ninhada da F1 composta por um macho e uma fêmea.
Ao contrário das cruzas anteriores — onde a mãe genealógica era sempre uma loba — esta segunda linha aproveitou o cuidado maternal de uma cadela Pastor Alemão. Isso foi determinante para o imprinting canino, pois os filhotes receberam desde cedo comportamentos sociais, confiança em humanos e aptidões comunicativas características de cães, favorecendo um temperamento equilibrado.
Essa combinação pioneira reduziu significativamente o traço dominante do lobo, promovendo temperamentos mais controlados. Os filhotes, expostos ao ambiente doméstico com orientação canina, apresentaram maior capacidade de aprendizado, menor reatividade e vínculos afetivos mais sólidos, tornando-os aptos também a funções civis além das militares.
Argo representou a segunda adição de sangue lupino, expandindo o pool genético da raça. Sua contribuição genética fortaleceu aspectos como resistência física, metabolismo resistente, visão noturna aprimorada e padrão de pelagem típica, sem renunciar à saúde geral, graças aos posteriores retrocruzamentos.
O projeto visionário de cruzamento entre lobos e Pastores Alemães começou a tomar forma como uma nova raça oficialmente em 1962, quando os primeiros híbridos da quarta geração foram registrados como Cão Lobo Tcheco (český vlčák).
Já em 1966, o coronel Karel Hartl desenvolveu o primeiro padrão oficial da raça. Contudo, o pedido de reconhecimento foi recusado pela União das Raças de Serviço da Tchecoslováquia, que alegou haver poucos exemplares registrados.
O cenário político e institucional também interferiu. Em 1968, após mudanças no comando da Guarda de Fronteira, a criação oficial de híbridos foi suspensa na República Tcheca. Os criadores civis, sem apoio estatal, não conseguiram manter a continuidade do projeto. Já em 1969, novos cruzamentos realizados entre descendentes de Brita e outros híbridos originaram, pela primeira vez, cães oficialmente nomeados como Cão Lobo Tchecoslovaco (Československý vlčák).
Apesar disso, o reconhecimento oficial ainda estava longe. Em 1970, com 56 exemplares já vivos, Hartl fez nova tentativa de reconhecimento da raça — novamente rejeitada. A última ninhada tcheca nasceu em 1971, marcando o início de um hiato de 10 anos sem novos filhotes no país.
Enquanto isso, na Eslováquia, o projeto ganhou fôlego graças à dedicação do major František Rosík, cinólogo chefe da 11ª Brigada da Guarda de Fronteiras (Pohraničná stráž) em Malacky. Lá, Cães Lobos promissores foram cuidadosamente transferidos e retirados do serviço militar, de modo que o foco maior passasse à padronização física e temperamental da nova raça.
Foi em Malacky que a continuidade do trabalho foi garantida, graças a um grupo misto de soldados profissionais e criadores civis apaixonados. Rosík, desde 1964, não somente estabeleceu a primeira estação canina oficial da Guarda de Fronteiras em Šamorín, como depois a mudou para Malacky e Moravský Svätý Ján, expandindo a base de criação com suporte técnico e estratégico.
Na década de 1970, Malacky tornou-se o centro nevrálgico da criação da raça – colocando sob a tutela de Rosík os melhores indivíduos, inclusive aqueles provenientes de criadores civis e militares. Seu papel incluiu sistematização dos testes de resistência, comportamento e conformidade, bem como na formação do padrão oficial. A colaboração com o cinólogo tcheco Eugén Richnovský garantiu a adaptação da linhagem ao ambiente doméstico, formando Cães Lobos obedientes e estáveis.
Em 1974 foi introduzido no programa de criação o terceiro lobo dos Cárpatos, chamado Šarik, em uma fase crucial de consolidação da linhagem. O lobo foi acasalado com a híbrida de terceira geração Xela z Pohraniční stráže (F3), resultando no único filhote Xavan z Pohraniční stráže. Paralelamente, Šarik cruzou com a híbrida Urta z Pohraniční stráže, gerando a fêmea híbrida Eida z Pohraniční stráže, que se destacou como progenitora de Híbridos como Afír z Pohraniční stráže e Amúr z Pohraniční stráže, estes foram socializados em lares civis, marcando a transição dos híbridos para ambiente civil.
Xavan z Pohraniční stráže tornou-se ancestral chave, especialmente por meio de seus filhos Rep z Pohraniční stráže (F3), Cirus z Pohraniční stráže (F2) e neto Brest z Pohraniční stráže, que formaram a espinha dorsal da base genética no canil militar de Malacky. Já Eida z Pohraniční stráže, por sua linhagem materna civil, elevou ainda mais o pool genético, contribuindo para a difusão do novo padrão em criadores externos à brigada.
O cruzamento com Šarik ocorreu num momento em que o projeto estava centralizado no novo centro cinológico perto de Malacky (Bratislava), sob liderança do major František Rosík, sendo essa a terceira e talvez mais estratégica introdução de sangue de lobo desde os primeiros cruzamentos em 1958 e 1968.
A presença de Šarik contribuiu com características valiosas: maior resistência física, pelagem mais aderente ao tipo do lobo, melhor percepção sensorial e forte conexão com o condutor. No entanto, a criação também demandou rigor na seleção de temperamento para garantir a docilidade e socialidade para obedecer ao padrão desejado.
Depois de anos de trabalho árduo e dedicação, em 20 de março de 1982 ocorreu um marco decisivo: foi fundado o KCHČSV (Klub Chovateľov Československého Vlčiaka) durante uma assembleia realizada em Brno. O major František Rosík foi eleito o primeiro presidente do clube e, em breve, o Comitê Federal dos Clubes Cinológicos da Tchecoslováquia — liderado por Mikuláš Račkaja, então presidente da União Eslovaca de Criadores — reconheceu oficialmente o novo organismo em 2 de abril de 1982, com sede em Praga e filial em Bratislava.
Na sequência, 43 filhotes foram inscritos no Registro Principal de Pedigree, conferindo ao Cão Lobo Tchecoslovaco (Československý vlčák) o status de raça nacional oficialmente reconhecida. Logo nos primeiros meses, o clube iniciou um programa de Bonitação (avaliação morfológica e temperamental) e consolidou os critérios de seleção para reprodução.
Apesar do progresso, o reconhecimento internacional ainda enfrentaria um desafio inesperado: a super utilização de Rep z Pohraniční stráže (F3). Por sua aparência equilibrada e temperamento exemplar, Rep z PS (F3) foi usado em larga escala, deixando mais de 300 descendentes — um número alarmante para uma raça em fundação.
Karel Hartl alertou para o risco de depressão endogâmica, com até 90% dos exemplares apresentando parentesco com Rep z Pohraniční stráže (F3), o que poderia comprometer a variabilidade genética e a saúde futura da raça.
Em 26 de abril de 1983, ocorreu a última inserção de sangue lupino no projeto: a loba Lejdy, proveniente do zoo de Hluboká, foi cruzada com o Pastor Alemão Bojar vom Schotterhof, criando-se a quarta linha do programa. O único filhote registrado desse cruzamento foi Kazan z Pohraniční stráže (F1).
Durante a década de 1980, o programa enfrentava um sério problema de consanguinidade excessiva com alta taxa de parentesco entre cães criados nas áreas da Boêmia e Morávia . A adição de a Loba dos Cárpatos Lejdy foi uma medida estratégica para reduzir essa consanguinidade — introduzindo loci genéticos novos e mantendo a vitalidade geral da população.
Kazan z Pohraniční stráže (F1), fruto desse cruzamento, trouxe um temperamento mais equilibrado, combinando traços lupinos com obediência aprimorada, graças à formação parental confiante e socializada. A nova linha ajudou a reduzir o índice de Wright e a estabilizar a diversidade dentro da raça, especialmente em populações impactadas por criação Line Breeding (refere-se ao acasalamento entre indivíduos aparentados).
Apesar das críticas iniciais dos criadores eslovacos quanto à introdução de mais sangue de lobo pelos tchecos, Kazan z Pohraniční stráže (F1) foi amplamente utilizado em ambos os países, garantindo que sua genética cruzasse fronteiras e fortalecesse as bases tanto na Rep. Tcheca quanto na Eslováquia.
A trajetória do Cão Lobo Tchecoslovaco não foi construída sem oposição. Ao longo dos anos 1960 até a década de 1980, a proposta de cruzar lobos dos Cárpatos com pastores alemães gerou profundo desconforto entre militares, cinófilos e criadores tradicionais, especialmente os ligados ao SVÁZARM (Svaz pro spolupráci s armádou) União para Cooperação com o Exército e às forças das fronteiras.
Em 1966, o canil da guarda de fronteira em Libějovice solicitou à comissão cinológica do SVÁZARM uma avaliação oficial do programa de híbridos. A comissão, liderada pelo juiz internacional Jaroslav Odvárka, rejeitou o experimento, argumentando que seria mais rápido e barato aperfeiçoar o Pastor Alemão com métodos tradicionais. Essa decisão desmotivou tanto militares quanto criadores civis e levou a uma forte desaceleração do projeto.
Entre 1966 e 1967, o general e professor M.V.Dr. Jozef Hrušovský (chefe dos serviços veterinários militares e presidente da comissão central do SVÁZARM) ordenou o fim dos cruzamentos interespécies. Sua decisão pode ter sido influenciada por desavenças pessoais com Karel Hartl, o idealizador da raça. Como resultado, a criação de híbridos foi drasticamente reduzida, com muitos cães sendo eutanasiados ou enviados para pesquisa.
A revista oficial Dog Man’s Best Friend (Pes – Přítel člověka), principal publicação cinológica da época, também contribuiu para as dificuldades. A partir de 1980, sob direção de Jan Kořínek e Zuzana Trankovská, a revista se recusou a publicar qualquer material sobre o ČsV (sigla oficial da raça na língua mãe). Em carta enviada em 1983 a Vladimír Mádl, afirmaram:
Eles alertavam sobre o risco de acidentes e ataques por parte de cães híbridos mal compreendidos e frisavam que a maioria dos incidentes vinha da mistura entre Pastor Alemão e lobo selvagem — e não do Cães Lobos Tchecoslovacos oficialmente criados e controlados.
František Rosík, importante figura na preservação da raça, respondeu com veemência:
Mesmo sob pressão para encerrar o programa de híbridos, o canil de Malacky, na Eslováquia, manteve a criação ativa. Em 1971, quando alguns exemplares da República Tcheca foram transferidos à Eslováquia, criadores eslovacos continuaram a seleção e registro dos melhores cães, mesmo após a suspensão do apoio oficial. Essa persistência culminou na fundação do clube KCHČSV em 1982, com base nos cães de Malacky — única linhagem viva remanescente.
Após anos de esforços dispersos, o Clube dos Criadores de Cães Lobos Tchecoslovacos (KCHČSV - Klub chovateľov československého vlčiaka) estabeleceu-se oficialmente em 20 de março de 1982, em Brno, com sede central em Praga e uma filial importante em Bratislava. No dia 2 de abril de 1982, essa fundação foi formalmente reconhecida pelo Comitê Federal de Clubes Cinológicos da então Tchecoslováquia — liderado por figuras como Mikuláš Račkaj — homologando a estrutura nacional do clube, em poucos meses, 43 filhotes foram inscritos no Registro Principal de Pedigree, proporcionando à raça o status de “raça nacional oficialmente reconhecida”
Neste momento da história da raça emergente, o objetivo era claro; o Clube da Raça Cão Lobo Tchecoslovaco era de continuar a criação e o desenvolvimento da raça para alcançar o reconhecimento oficial com a FCI — por sua beleza, graça, grandeza e grande capacidade de trabalho.
Karel Hartl, František Rosík, Jozef Sopúch e Oskár Dóra elaboraram o padrão da raça em Bratislava, que foi recomendado pela FCI para aprovação em assembleia geral. Na conferência do Clube da Raça Cão Lobo Tchecoslovaco em Brno, em 26 de maio de 1990, Oskár Dóra foi eleito presidente do comitê, sendo confirmado que o clube teria um comitê nacional e quatro filias, cada uma com sua própria liderança — uma filial da Morávia e Silésia, uma filial da Eslováquia Ocidental e uma filial da Eslováquia Oriental — sendo assim o comitê nacional foi liberado para iniciar as negociações sobre o clube da raça na comunidade canina República Federal da Tchecoslováquia.
Então foi decidido que a sede do clube seria transferida de Praga para Bratislava. Ao mesmo tempo, os participantes da reunião concordaram em solicitar o término da gerência do clube em Praga e a criação de uma unidade separada para manter o livro genealógico em Bratislava, visto que o clube já emitia certificados de pedigree canino há três anos.
Uma sétima unidade organizacional do Kennel Club da República Federal da Tchecoslováquia foi formada na Eslováquia. Isso ajudou muito quando a raça foi discutida em 1994, já que a Eslováquia tinha sua própria documentação — o livro genealógico. Os tchecos poderiam, portanto, iniciar sua própria documentação, começando com o número 1000.
De acordo com o contrato firmado entre o Clube da Raça Vlciak da Tchecoslováquia e a Associação de Criadores Tchecos, a filiação ao clube expirou em 31 de dezembro de 1990. Em 1º de janeiro de 1991, o clube da raça assumiu áreas que, até então, eram administradas exclusivamente pela Associação de Criadores Tchecos, incluindo a gestão do livro genealógico Vlciak da Tchecoslováquia.
No mesmo ano, o clube foi aceito pela Confederação das Organizações Cinológicas da República Federativa Tcheca e Eslovaca como uma organização única.
Em 13 de junho de 1989, o Cão Lobo Tchecoslovaco foi reconhecido provisoriamente pela Fédération Cynologique Internationale (FCI). O padrão da raça foi registrado sob o número 332, classificado no Grupo 1 – Cães de Pastoreio e Boieiros. O reconhecimento foi concedido por um período experimental de dez anos.
Durante essa década (1989–1999), mais de 1.500 filhotes foram registrados, atendendo aos critérios de padronização, fenótipo, comportamento e sustentabilidade da raça. Em 1998, os documentos finais foram enviados à FCI pelas comissões do KCHČSV da Eslováquia.
Finalmente, em 1º de junho de 1999, o reconhecimento total e definitivo do Cão Lobo Tchecoslovaco (Československý vlčák) foi oficialmente concedido pela FCI. A raça agora era, incontestavelmente, parte do rol internacional das raças caninas reconhecidas.
O programa de melhoramento da raça não parou com o reconhecimento oficial. Pelo contrário — criadores experientes e comprometidos continuam a estudar, pesquisar, divulgar e promover a raça com seriedade e responsabilidade. Esses profissionais seguem critérios rigorosos
Em diversos países europeus, a raça passou a ser regulamentada por clubes nacionais de criadores, que impuseram critérios rigorosos para reprodução. Para que um exemplar possa ser considerado apto à reprodução, ele precisa ser aprovado em uma avaliação oficial chamada Bonitação (Bonitation).
Morfologia: medidas precisas da anatomia do cão (altura da cernelha, comprimento do focinho, tamanho das orelhas, ângulos dos membros, etc.);
Comportamento e temperamento: resposta ao ambiente, interação com estranhos, socialização e reação ao disparo de tiro;
Teste de resistência: o cão deve percorrer entre 40 a 100 km em tempo determinado, demonstrando condição física superior;
Exames complementares: raio-X para displasia coxofemoral e de cotovelo, além de exame de DNA para comprovar a ancestralidade.
Após essa análise, um comitê especializado autoriza ou não o cruzamento entre dois exemplares, visando proteger a saúde da raça e assegurar a qualidade genética das futuras gerações. A seleção cuidadosa de reprodutores e a aplicação de testes como a Bonitação continuam sendo práticas padrão em muitos clubes europeus, e vêm sendo adotadas gradualmente em outras regiões onde a raça está se estabelecendo.
Atualmente, o Cão Lobo Tchecoslovaco é criado e reconhecido em diversos continentes, participando de exposições, provas de trabalho, programas de socialização e até atuações especiais como cão de resgate, cão esportivo, cão de companhia com manejo consciente e projetos de conservação genética.
Curiosamente, a Eslováquia, berço da criação moderna da raça, deixou de ser a principal fortaleza em número de exemplares e ninhadas. Entre os anos de 1999 e 2009, o país que mais registrou filhotes foi a Itália, com uma população estimada de quase 3.000 cães nascidos nesse período.
Na sequência, os países com maior número de exemplares passaram a ser: República Tcheca, França, Alemanha e em menor escala, outros países da Europa e da América do Norte.
Ao conhecer a história, as origens e os desafios dessa raça extraordinária, você dá os primeiros passos em uma jornada única. O Cão Lobo Tchecoslovaco não é apenas um cão exótico com aparência de lobo — ele representa a intersecção entre natureza e civilização, genética e comportamento, instinto e vínculo.
Seja você um futuro proprietário, um criador ou apenas um apaixonado por essa linhagem singular, a responsabilidade começa com o conhecimento. E a partir daqui você pode caminhar com mais consciência, respeito e admiração ao lado desse companheiro ancestral.
Se deseja aprender mais sobre esta raça magnifica, veja nossa área de estudos sobre a raça no link Nossas Ações. Lá você encontra desde Treinamentos para futuros proprietários, e-books sobre a raça e palestras para você se aprofundar mais no conhecimento sobre a raça.
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