A nutrição adequada ajuda no crescimento saudável de um filhote em um cão adulto, que está em boas condições físicas e mentais. Ela afeta a qualidade de seus ossos, músculos, pelo, mas também seu desenvolvimento mental. O estresse pela falta de comida pode causar distúrbios comportamentais. É uma fonte de energia e saúde, deve ser adaptada à idade, uso e modo de vida do cão. A dieta do cão é diferente da humana e requer estudo do assunto.
No universo dos entusiastas de cães primitivos, é comum cair na armadilha das semelhanças visuais. Frequentemente, o Cão Lobo Tchecoslovaco é colocado na mesma prateleira biológica que raças nórdicas como o Husky Siberiano e o Malamute do Alasca entre outros cães primitivos.
No entanto, essa comparação é biologicamente injusta e ignora um abismo genético moldado pelo tempo e pela intervenção humana. Para entender a alimentação do CLT, é preciso primeiro compreender que ele não opera sob o mesmo "relógio evolutivo" das raças domésticas antigas.
Enquanto o Husky e o Malamute convivem há milênios com tribos nômades, passando por um processo de seleção natural que permitiu ao seu DNA se distanciar do lobo e se adaptar a dietas de subsistência oferecidas pelo homem, o Cão Lobo Tchecoslovaco segue um cronograma diferente.
A raça nasceu de um experimento militar em 1955. Quando olhamos para um exemplar hoje, estamos diante de um animal que está a apenas 10 ou 15 gerações dos lobos originais dos Cárpatos, como Brita, Sarik, Argo e Lejdy. Em termos genéticos, isso é um "piscar de olhos".
O sistema digestivo do Cão Lobo Tchecoslovaco por ser uma raça recente e com contribuição de lobo, é plausível que haja maior variabilidade individual de tolerância a dietas ricas em amido; por isso o manejo nutricional deve ser individualizado.
A ciência por trás dessa ancestralidade é visível na anatomia. Como bem descreve a literatura técnica da raça, os caninos são estruturalmente alimentados com itens de origem animal. Isso é evidenciado pela estrutura dentária, projetada para rasgar carne e engoli-la, e não para a mastigação prolongada típica de herbívoros.

Os dentes carniceiros não são exclusividade do Cão Lobo Tchecoslovaco; eles estão presentes em todos os canídeos. No entanto, o que separa a raça das demais raças, é a preservação da morfologia secodonte. Enquanto milênios de domesticação e dietas à base de amido tornaram os dentes dos cães comuns menos afiados e seus molares mais aptos a triturar (bunodontes), o CLT manteve a engenharia original do lobo: lâminas de corte puras.
Dentes Carniceiros (O 4º Pré-molar superior e o 1º Molar inferior): No CLT, eles funcionam como uma tesoura biológica de alta precisão. Se observarmos um cão doméstico moderno, notaremos um desgaste ou um achatamento nessas superfícies. No Cão Lobo Tchecoslovaco, a sobreposição é perfeita para o cisalhamento (corte) de tecidos resistentes, tendões e ossos, sem a 'contaminação' evolutiva de dentes feitos para moer cereais.
Os Caninos (Presas): No CLT, os caninos não são apenas maiores; eles têm uma base mais profunda e uma curvatura projetada para o travamento. Em um cão comum, o canino é muitas vezes mais "decorativo" ou para defesa; no CLT, ele mantém a função de ancoragem em presas.
Molares Pontiagudos: O termo para dentes com pontas afiadas para cortar carne é Secodonte. Os molares do CLT são marcadamente secodontes, enquanto cães muito domésticos tendem a desenvolver molares mais Bunodontes (com cúspides arredondadas para moer).
A herança dos Cárpatos no CLT não é apenas visível no olhar, mas é exercida na mecânica da mordida. Enquanto a domesticação moldou nos cães comuns molares mais planos, voltados para a moagem de carboidratos, o Cão Lobo Tchecoslovaco preservou seus dentes carniceiros com morfologia secodonte.
São molares e pré-molares que não foram feitos para triturar cereais, mas para atuar como tesouras biológicas, capazes de cisalhar tecidos resistentes. Seus caninos, longos e de base sólida, confirmam o que o trato digestivo curto já denuncia: o CLT é uma máquina de processamento de proteína bruta.
